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ANÁLISE DE INDÚSTRIA ÓSSEA
A análise que se propõe
relativa à Indústria Óssea (sociedades
pré-industriais), abrangem desde a aquisição
da matéria-prima, ou seja a análise dos animais - caçados
e/ou domésticos - do sítio, até à sue
transformação em elemento útil, integrando
toda esta elaboração numa cadeia de trabalho que
segue os postulados da escola "cladista" ou Sistémica
Filogenética que se desenvolveu a partir das ideias do entomólogo
alemão W. Hennig (1968. Elementos de una sistemática
Filogenética . Eudeba. Barcelona). Este esquema mantém-se
no estudo evolutivo das cadeias da indústria óssea.
Por conseguinte, todas as peças ósseas são
interpretadas dentro de um modelo teórico baseado nas sucessivas
etapas em que o material ósseo se vai transformando (grados
de transformação óssea), de acordo com o material
localizado no sítio estudado. São analisadas lascas
- utensílios pouco elaborados (também conhecidos
como utensílios secundários ou de indicadores de
fortuna) - utensílios tipificados (ou utensílio indicativo) - e
possíveis utensílios reutilizados. Assim sendo, valoriza-se,
em especial, a morfologia final (morfo-tipo), já que esta
se traduz na representação acabada da intenção
de quem fez a peça, e estuda-se o método pelo qual
se podem conseguir determinadas formas através dos utensílios ósseos
presentes no local arqueológico (grados de transformação
técnica, divididas em "extracção" e "elaboração").
As possíveis implicações "funcionais" que,
por vezes, a morfologia dos diferentes morfo-tipos faz supor, são
estudadas e analisadas, uma vez mais, mediante as marcas de uso.
O resultado final permite comprovar a forma
como foram trabalhados os materiais de osso no grupo analisado,
assim como a sua possível
função que, pode mesmo dizer-se, espelha o tipo de
comunidade a que pertence, permitindo-nos inferir vários aspectos
caracterizadores da mesma: o modo de vida (sedentarismo e/ou nomadismo,
zonas de trabalhos nos sítios arqueológicos em causa);
as questões concernentes à arqueozoologia (escolha
de animais); os primeiros tratamentos e processos de extracção
da carne do osso e os restantes trabalhos industriais que culminam
com a conclusão final do instrumento em osso (peças
acabadas; reutilizadas e fragmentadas pelo uso).
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